Andar, Andar
18/06/2010 3 Comentários
Às vezes sair na cidade de São Paulo é uma verdadeira aventura. Basta pisarmos o pé na calçada de casa e nos depararmos com pessoas e situações que vão nos surpreender. Pode parecer simples e o ritual é tão constante que não percebemos tanta coisa que está a nossa volta.
Saio de casa e faço uma pequena caminhada. Chego ao ponto de ônibus e a lotação passa mais rápido do que imagino. Dou sinal, subo e vou para a estação de trem. A aventura está apenas começando. Na lotação começo a ver faces de diversos tipos e começam a surgir as perguntas.
Quem são essas pessoas? Pra onde estão indo? O que vão fazer? Me diz quem é que realmente sabe? Divago com essa transitoriedade e continuo no meu rumo. O horário é marcado, mas não tenho pressa de chegar. Desço na estação de trem e vou me direcionando para fazer a baldiação com o metrô.
É uma infinidade de gente que passa pra lá e pra cá e a impressão que dá é que eles não tem destino. Um faz cara feia, olha torto, desvia e segue seu caminho. O outro tropeça, não pede desculpa e ainda xinga! O que falta mesmo é educação! Gente de todos os tipos! Pessoas seguindo seu desconhecido destino.
Desço na estação Sé e aguardo minha amiga, num pequeno espaço de tempo vejo muita gente passando por mim. De minuto em minuto vem um trem na linha vermelha com destino a zona oeste, sempre que a porta se abre “um mundo” de gente desce de um lado pro outro!
Pare. “Como faço pra chegar à estação Brigadeiro?” me pergunta um passageiro. Dou-lhe as instruções e ele agradece com um sorriso no rosto. Ainda há educação, ufa! No mesmo instante me assusto com uma discussão muito alta. É um casal brigando e pelo visto a garota tinha sido dispensada, pois ela gritava “eu não vou te deixar”. Eu disse que era uma aventura.
São coisas simples que se passam e a gente não nota! É o ritual frenético do dia-a-dia que vai e que vem. Ninguém nota. Por que não olhamos para o lado? Me lembrei da canção que abre o álbum Hey Na Na de 1998 dos Paralamas do Sucesso, Por Sempre Andar. Ela já começa assim: “Por sempre andar, andar / E nunca parar / Pequenas coisas vão ficando pra trás”.
Quantas pequenas coisas estamos deixando pra trás? Essa foi a pergunta que veio e definitivamente ficou.
É o que acontece quando não paramos. Perdemos a oportunidade de valorizar as pequenas coisas, até mesmo a simples rotina de uma hora se deslocando de um bairro pro outro dentro dessa maravilhosa cidade chamada São Paulo!
